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Relacionamento, Amor & Liberdade
Autoria de Ivo Maioli   

Neste artigo, retirado do livro Relacionamento, Amor e Liberdade, Osho nos ensina que relacionar-se  é  uma  das  maiores  coisas  da  vida:  é  amar, compartilhar. 
Para  amar  é  preciso  transbordar  de  amor  e  para  compartilhar  é preciso  ter amor.  Quem  se  relaciona  respeita  e  não  possui. 
A  liberdade  do outro  não  é  invadida,  ele  permanece  independente.  Possuir  é  destruir  todas as  possibilidades  de se  relacionar.  Relacionar  é  um  processo.
Relacionamento é  diferente  de  relacionar-se:  é  completo,  fixo,  morto.  Antes  devemos  nos relacionar  conosco  mesmos  e  escutar  o  coração  para  a  vida  ir  além  do intelecto,  da  lógica,  da  dialética  e  das  discriminações.  É  bom  evitar substantivos  e  enfatizar  os  verbos.  A  vida  é  feita  de  verbos:  amar,  cantar, dançar, relacionar, viver.


Este é realmente um livro admirável! A Sabedoria de um dos maiores mestres encarnados em pleno Século 20 nos apresenta aqui um roteiro de ensinamentos elevados sobre Amor, Relacionamento e Liberdade.
Esta leitura surpreende pelo raciocício filosófico elevado, pela definição empregada pelo autor para definir o Amor entre homens e mulheres.
A diferença entre solidão e Solitude; ciúmes e outras tantas reflexões para este que sem dúvida, é um dos temas mais buscados pelos buscadores da verdade.
Este pequeno resumo do livro, nos dá uma idéia do quanto precisamos amadurecer em nossos relacionamentos!



O  Outro  Dentro  de  Você

Nada  machuca  mais  do  que  quando  um  sonho  é esmagado,  uma  esperança  morre,  o  futuro  se  torna  escuro.  A  frustração representa  uma  parte  muito  valiosa  no  crescimento  espiritual.  A  nova psicologia  está  baseada  nas  experiências  da  escola  mais  antiga,  tantra. Qualquer um que seja dependente de alguém, odeia essa pessoa. 

Ciúme

Quando há atração sexual e o ciúme entra é porque não há amor. Há medo, porque o sexo é uma exploração. O medo se torna ciúme. Não se pode amar alguém não-livre, pois o amor só existe se dado livremente, quando não é  exigido,  forçado  e  tomado.  Quanto  mais  controlamos,  mais  "matamos"  o outro. As causas do ciúme estão dentro de nós; fora estão só as desculpas. O amor não pode ser ciumento. Ele é sempre confiante. Confiança não pode ser forçada.  Se  ela  existir,  segue-se  por  ela.  Senão,  é  melhor  separar,  para evitar danos e destruição e poder amar outra pessoa. Quando amamos alguém, confiamos  que  não  quererá  outro.  Se  quiser,  não  há  amor  e  nada  pode  ser
feito.  Só  através  do  outro  tornamo-nos  conscientes  de  nosso  próprio  ser.  Só num  profundo  relacionar-se  o  amor  de  alguém  ressoa  e  mostra  sua profundidade:  assim  nos  descobrimos.  Outra  forma  de  autodescoberta,  sem  o outro, é a meditação. Só há dois caminhos para chegar ao divino: meditação e amor.
 

Do  Sexo  ao  Samadi

Só  temos  uma  energia  que,  no  mais  baixo,  é  sexual. Refinada,  transforma-se  pela  alquimia  da  meditação  e  torna-se  amor  ou oração.  O  sexo  é  o  fenômeno  mais  importante  da  vida.  É  natural,  não  exige preocupação.  Repressão  é  esconder  energias  impedindo  sua  manifestação  e transformação.  Até  hoje  nenhuma  sociedade  encarou  o  sexo  naturalmente.  O sexo revela que somos dependentes. As pessoas egoístas são contra o sexo (?)

Nele  sempre  há  o  risco  de  rejeição.  Nele  nos  tornamos  animais,  porque naturais.  Quando  aceitamos  o  passado,  o  futuro  se  torna  uma  abertura.  O tantra  usa  o  ato  sexual  rumo  à  integridade,  se  nos  movermos  nele meditativamente,  sem  controle,  com  loucura,  sem  tempo,  sem  ego, naturalmente.  Tantra  é  um  longo  caminho  do  sexo  ao  samadi.  Samadi  é  o supremo gol; sexo é só o primeiro passe. Uma pessoa se torna Buda quando o sexo  é  transformado  em  Samadi.  É  bom  mover-se  no  sexo,  mas  permanecer observador.

A meditação é a experiência do sexo sem sexo. O sexo é um fim em si  mesmo  e  no  presente.  Sem  amor  o  ato  sexual  é  apressado.  Sem  pressa, estando  no  presente,  caminha-se  para  a  comunhão,  a  entrega,  a espiritualidade,  o  relaxamento,  o  fluir,  a  fusão,  o  êxtase,  o  Samadi.  Não  há necessidade  de  ejaculação. 

Quanto  mais  observamos,  mais  nossos  olhos  são capazes  de  ver,  mais  são  perceptivos.  "O  homem  e  a  mulher  são  dois  polos diferentes,  o  polo  positivo  e  negativo  da  energia.  Seu  encontro  provoca  um circuito  e  produz  um  tipo  de  eletricidade. 
O  conhecimento  dessa  eletricidade é  possível  se  o  período  de  cópula  puder  ser  mantido  por  um  período  mais longo.  Então  uma  alta  carga,  produzindo  uma  auréola  de  eletricidade  evoluirá por  si  mesma.  Se  as  correntes  dos  corpos  estiverem  num  abraço  total  e completo, pode-se até mesmo ver um lampejo de luz na escuridão."
 

Relacionamento  como  um  Espelho

O  amor  se  relaciona,  mas  não  é relacionamento,  que  é  algo  acabado.  Ele  é  como  um  rio  fluindo, interminavelmente.  Há  flores  do  amor  que  só  desabrocham  após  uma  longa intimidade.  Relacionar-se  significa  que  estamos  sempre  começando,  sempre tentando  nos  tornar  conhecidos.  A  alegria  do  amor  está  na  exploração  da consciência.  Quando  investigamos  o  outro,  fazemos  o  mesmo  conosco.
Aprofundando-nos no outro, nos aprofundamos em nós mesmos. Tornamo-nos espelhos para o outro e o amor torna-se meditação. Quando mais descobrimos, mais  misterioso  o  outro  se  torna:  o  amor  é  uma  aventura  constante.  Quando estamos apaixonados, a linguagem não é necessária. O amor não escraviza, não é  possesivo  nem  exigente.  Ele  liberta,  permitindo  aos  amantes  voarem  alto, em  direção  a  Deus. 
Quando  apreciamos  nossa  solidão,  nos  tornamos meditadores.  Só  quem  é  capaz  de  ser  feliz  sozinho  pode  contribuir  com  a felicidade de outro.
 

Amor  Verdadeiro

Quando  há  dependência  não  há  maturidade  nem  amor,  há necessidade.  Usa-se  o  outro,  o  que  é  desamoroso.  Ninguém  gosta  de  ser dependente, porque a dependência mata a liberdade. Os homens sempre querem mulheres que sejam "menos" do que eles. A maturidade vem com o amor e acaba com a necessidade.
Amor é luxo, abundância. É ter tantas canções no coração, que  é  preciso  cantá-las, não  importando  se  há  quem  ouça.  Quando  somos autênticos, temos a aura do amor. Quando não, pedimos amor aos outros. Quem se apaixona não tem amor e, assim, não pode dar. Quem é maduro não cai de amor, mas se eleva nele. Duas pessoas maduras que se amam, judam-se a se tornarem mais livres. Liberdade, moksha, é um valor mais elevado que o amor. Por isso é que o amor não vale a pena se a destruir. 

Solidão  e  Solitude

Na  solitude  estamos  constantemente  encantados  conosco mesmos. Ela é abençoada, um profundo preenchimento, que nos mantém centra-dos e enraizados. Ela é independente. Todos são um fim em si mesmos. Ninguém existe  para  ser  usado. 
Quem  está  no  pico  da  solitude  só  se  atrai  por  quem também  esteja  só.  Dois  solitários  olham  um  para  o  outro,  mas  dois  que conheceram a solitude olham para algo mais elevado. Se estão felizes consigo mesmos, tornam-se companheiros. As palavras felicidade e acontecimento têm a mesma  raiz  em  inglês.  Porque  a  felicidade  simplesmente  acontece. 
Para  ser feliz  é  preciso  deixar  acontecer.  O  caminho  do  amor  deve  ser  tomado  com tremenda consciência e o da consciência, com tremendo amor.


Depois de cada experiência profunda nos sentimos sós e tristes: seja um grande amor ou uma meditação.  Por  isso  muitos  evitam  experiências  profundas.  A  solitude  é  bela e livre. É um momento em que o outro não é necessário. Após essa liberdade o amor  é  possível. 
O  amor  traz  solitude  e  a  solitude  traz  amor.  Já  a  solidão não  cria  amor;  apenas  necessidade.  Ela  pode  matar. 
Dois  solitários  não conseguem  se  relacionar  porque  isso  não  ocorre  a  partir  da  necessidade. Solitude  é  uma  flor  esabrochando,  é  positiva,  saudável.  Só  o  amor  dá  a coragem  de  sermos  sós.  Só  assim  acumulamos  energia  até  transbordar  e transformar-se  em  amor.  Sós,  acumulamos  amor,  celebração,  dança,  energia, prazer,  vida.

Só  o  excesso  de  energia  possibilita  o  orgasmo,  que  não  é  um alívio,  mas  elebração.  Quando  os  amantes  se  afastam,  readquirem  sua solitude,  beleza  e  alegria.  A  alegria  traz  a  necessidade  de  compartilhar.  A paixão é muito pequena diante da compaixão. Solitude é mover-se para dentro e amor é mover-se para fora.
Ambos os movimentos são enriquecedores. 

Terminando um relacionamento

Onde houver consciência, há revolta contra a repetição  mecânica.  Totalidade  é  a  base  da  liberdade.  Simpatia  não  é  amor. Não se resolve problemas dentro da mente, pois ela é o problema, que não se resolve  com  respostas,  por  não  ser  um  problema  ntelectual,  mas  existencial.

Em  vez  de  pensar  é  melhor  entrar  no  silêncio,  que  é  a  porta  a  caminho  da divindade.  Relacionamento  não  é  amor  e  amor  não  é  relacionamento.  Este  é pronto  e  fechado  e  o  amor  é  fluir.  Relacionamento  é  estrutura;  amor  é não-estruturado. Amor é um processo, um estado de ser. As pessoas amorosas não precisam de relacionamentos.

O relacionamento torna-se necessário quando o  amor  está  ausente,  ele  o  substitui.  É  preciso  muita  coragem  para permanecer aberto, sem criar um relacionamento. O amor acontece, nós não o fazemos acontecer: só podemos nos tornar disponíveis.
O amor vem do nada, como um solavanco e só é possível entre iguais. Se escolhemos alguém que tem medo de aprofundar é porque nós também temos. Quando o amor se aprofunda, aumenta a liberdade.
Elevar-se no amor é um aprendizado, uma mudança, uma maturidade. É algo espiritual. Quem é sábio não impõe sua idéia a ninguém. A vida  é  incerta,  a  insegurança  é  seu  próprio  espírito.  Só  a  morte  é  certa. Nunca devemos perguntar sobre problemas dos outros. 

Casamento

Ninguém nasce para o outro!
Amor e liberdade andam juntos. Ela é uma  expressão  do  amor. 
"Dar"  liberdade  é  confiar.  O  crescimento  precisa  de liberdade.  De  todas  as  artes,  o  amor  é  a  mais  sutil  e  precisa  ser  aprendida.
Amor  é  felicidade,  harmonia,  saúde.  Um  grande  amante  está  sempre  pronto  a dar amor e não está preocupado se vai receber de volta ou não. O amor tem sua  própria  felicidade  intrínseca. 

Quanto  mais  amamos,  maior  a  possibilidade da  pessoa  certa  acontecer,  porque  o  coração  floresce.  O  amor  real  nos  deixa felizes  e  harmônicos  pela  simples  presença  do  outro.  Amor  é  eternidade.  Se estiver  presente,  cresce.  Ele  conhece  o  início,  mas  não  o  fim.  Duas  pessoas infelizes que se unem multiplicam sua infelicidade.
 

Amizade  e  Ser  Amigo

Love  vem  do  sânscrito  lohba,  avareza.  A  amizade pertence ao templo e não à loja. Devemos ser amigáveis com todos: pessoas, animais,  plantas  e  não  criar  amizades,  necessariamente.  Amizade  é  amor  sem caráter  biológico. 
As  pessoas  iluminadas  têm  mais  inimigos  do  que  as não-iluminadas, pois os cegos não perdoam quem enxerga e os ignorantes não perdoam  quem  sabe.  Ser  amigável,  amoroso,  autêntico,  inocente  sem  causa  é suficiente para disparar muitos egos contra si. 

Meditação e Amor

Quem quiser harmonia no amor precisa aprender a ser mais meditativo. 
O  amor  sozinho  é  cego,  quem  enxerga  é  a  meditação.  É  bom substituir  brigas  por  entendimento.  Os  conflitos  existem  por  falta  de compreensão.
As palavras medicina e meditação têm a mesma raiz. A medicina cura o corpo, a matéria e a meditação cura a alma, o espírito.
O amor é uma meditação  e  ela  desabrocha  no  amor.  Meditação  é  um  estado  de  bênção, não-pensamento,  serenidade  e  silêncio.  É  autodescoberta  e  a  necessidade  de compartilhar:  o  amor.  Meditação  é  um  estado  de  não-mente,  de  pura consciência. É preciso aprender o truque de não nos envolvermos com a mente, a arte de permanecermos indiferentes. Maturidade é conhecer algo em nós que é  imortal:  a  meditação,  que  conhece  Deus. 

A  mente  conhece  o  mundo,  fica obcecada  pelas  nuvens,  que  vão  e  vêm.  A  meditação  busca  o  céu,  que  é permanente.  Devemos  buscar  o  céu  interior. 
A  meditação  pode  se  tornar eternidade, é relaxamento em si, é um estado de não-vontade, de não-ação, de espontaneidade  indisciplinada,  sem  direção,  controle  ou  manipulação.  Ela  não tem  meta,  está  no  presente,  é  imediatismo. 
Quem  medita  torna-se  silencioso, tranquilo,  pois  a  meditação  traz  paz.  É  a  árvore  que  cresce  sem  semente, pois  é  mágica,  misteriosa.  Quem  abandona  o  passado  é  meditativo.  Na meditação  vive-se  o  momento,  nada  interfere  e  a  atenção  é  total,  porque  não há distração; só consciência. Quem medita encontra o amor, pois a meditação nos torna amorosos e o amor nos torna meditativos. 

Amor e Compromisso

Quando amamos alguém não admitimos que o amor possa acabar  e,  se  ele  existe,  não  há  necessidade  de  arranjo  legal.  O  casamento  é necessário porque não há amor. Amor é a fragrância de um coração meditativo, silencioso  e  tranquilo;  luxúria  é  paixão  cega.  Não  há  como  melhorar  o  amor.
Se  é  ele,  é  perfeito.  Se  não  for  perfeito,  não  é  amor.  Quem  quer  conhecer  o amor, deve meditar. Só os místicos o conhecem. Ele é um dos muitos atributos de Deus, que também é compaixão, perdão, sabedoria etc. Quem está centrado, é meditativo.
O amor é uma alegria transbordante, um estado do ser. O medo é o oposto do amor.
O ódio é o amor invertido. No amor nos abrimos, confiamos, expandimos. No medo nos fechamos, duvidamos, encolhemos.
 

Ame  a  Si  Mesmo

Para  amar  é  preciso  conhecer.  Daí  que  a  meditação  é primária  e  o  amor,  secundário.  Como  o  Sol  irradia  luz  sem  foco,  a  meditação irradia  amor  sem  foco. 
Amar  a  si  próprio  é  meditação,  é  ser  autêntico, aceitar-se  com  é.  Isso  é  oração,  é  gratidão.  O  amor  começa  com  o  amor próprio,  com  a  aceitação  de  si,  de  tudo  e  de  todos. 
A aceitação  cria  o ambiente onde o amor desabrocha. Também a confiança começa na autoconfiança, que é independência.
Quem é independente, aprende, amadurece e se transforma com as mudanças.
O amor é o fenômeno mais mutante da vida: é como uma flor que  se  abre  a  cada  manhã.  Só  os  independentes  podem  amar  e  ser  amados.
Diante de um problema o que mais importa é saber exatamente qual é problema e não sua solução.
 

Uma Nova Dimensão de Amor

O amor é mais verdadeiro e autêntico do que nós.  Todo caso de amor é um novo nascimento.
O ego é como a escuridão, mas quando chega  a  luz  do  amor,  a  escuridão  se  vai. 
As  escolhas  devem  ser  pelo  real, pior  e  doloroso  e  não  pelo  confortável,  conveniente  e  burguês. 
O  amor  nos tira  do  ego,  do  passado  e  do  padrão  e por  isso  parece  confusão.  Ficar  louco de vez em quando é necessidade básica para permanecer são. Quando a loucura é  consciente,  pode-se  voltar.  Todos  os  místicos  são  loucos. 
O  amor  é alquimia  porque  primeiro  tira  o  ego  e  depois  dá  o  centro.  Amar  é  difícil, mas receber amor é quase impossível, porque a transformação é maior e o ego desaparece.  É  o  anseio  pelo  divino  que  impede  que  qualquer  relacionamento satisfaça. 
As  pessoas  mais  criativas  são  as  mais  insatisfeitas  porque  sabem que muito mais é possível e não está acontecendo.
Amor 1: é orientado a um objeto.
Amor 2: ele transborda, não é orientado por um objeto. É uma amizade que enriquece a alma.
Amor 3: sujeito e objeto desaparecem: a pessoa é amor.


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