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Trecho do livro "Não Temas o Mal" de Eva Pierrakos.
Toda personalidade, no curso de uma vida, normalmente no início da infância, com freqüência até mesmo quando bebê, forma certas impressões devidas a influências do ambiente ou a experiências inesperadas e repentinas. Tais impressões são geralmente baseadas em conclusões formadas pela personalidade. Na maioria das vezes, elas são conclusões erradas. Uma pessoa vê e passa por um infortúnio, por uma agrura inevitável da vida e então generaliza esses acontecimentos em convicções. As conclusões formadas não se baseiam na reflexão; elas são mais da natureza de reações emocionais, atitudes gerais em relação à vida. Elas não são completamente desprovidas de um certo tipo de lógica, mas esta é de uma espécie muito limitada e errônea. Com o passar dos anos essas conclusões descem mais e mais para o fundo do inconsciente, moldando em certa medida a vida da pessoa em questão.
Nós chamamos cada uma dessas conclusões de imagem. Você talvez diga que uma pessoa poderia também ter uma imagem positiva, saudável, gravada na alma. Isso é verdadeiro apenas até certo ponto, porque onde não foi produzida uma imagem errada, todos os pensamentos e sentimentos estão em movimento, flutuando; eles são dinâmicos; são flexíveis. Porque o Universo como um todo é invadido por um número de forças divinas e de correntes de energia. Os pensamentos, sentimentos e atitudes não ligados a uma imagem fluem em harmonia com essas forças e correntes divinas, adaptando-se espontaneamente à necessidade imediata e mudando de acordo com a necessidade de cada momento e situação. Mas as formas de pensamentos e sentimentos que emanam das imagens são estáticas e congestionadas. Elas não se submetem e mudam de acordo com as diferentes circunstâncias. Assim, elas criam desordem. As correntes puras que fluem através de uma alma humana são perturbadas e distorcidas. Há um curto-circuito.
Essa é a maneira como nós o vemos. O modo como vocês o vêem e sentem é através da infelicidade, da ansiedade e da perplexidade diante de muitos eventos aparentemente inexplicáveis. Por exemplo, você percebe que não pode mudar o que quer mudar ou que certos acontecimentos na sua vida parecem repetir-se regularmente sem uma razão óbvia. Esses são apenas dois exemplos; existem muitos outros.
As conclusões erradas que formam uma imagem são formadas pela ignorância e com um conhecimento parcial e, portanto, não podem permanecer na mente consciente. À medida que a personalidade cresce, o novo conhecimento intelectual contradiz o velho “conhecimento” emocional . Portanto, a pessoa enterra o conhecimento emocional, até que ele desaparece do campo de visão consciente. Quanto mais este é escondido, mais forte ele se torna. Com freqüência, você não compreende o que faz reter uma tal impressão, a partir da qual formou uma conclusão errônea; seu intelecto, sua mente como um todo, cresceu, foi modificado pelo que você aprendeu, pelo seu ambiente e pela experiência de vida, contudo, enquanto sua imagem permanece viva, você, num nível emocional mais profundo, não mudou.
Num certo momento de sua infância. Você sofreu um choque. Quando você pensa num choque, imagina logo uma experiência repentina com um impacto muito forte e inesperado, como um acidente. Mas um choque pode também acontecer, particularmente para uma criança, numa descoberta gradual de que as coisas são o contrário das expectativas mais queridas e acariciadas. Por exemplo, uma criança vive com a idéia de que os são perfeitos e onipotentes. Quando surge a percepção de que não é assim, ela vem como um choque, embora essa percepção comumente possa vir como uma série de eventos até que a nova descoberta torne a sua impressão duradoura.
Quando uma criança descobre que os seus conceitos até então aceitos a respeito dos pais, ou do mundo como tal, não são verdadeiros, ela perde a segurança. Ela fica assustada. Ela não gosta da descoberta e irá, por um lado, repetir esse conhecimento desagradável para o subconsciente porque se sente culpada e, por outro lado, construirá defesas contra essa “ameaça”. Quer tenha ocorrido repentinamente ou numa conscientização lenta, essa ameaça é o choque ao qual nos referimos.
Todos vocês sabem que o choque causa entorpecimento. O seu corpo, bem como os seus nervos e a sua mente, ficam entorpecidos a ponto de perder a memória temporariamente ou apresentar outros sintomas. Assim a criança experimentará um choque porque os pais, o mundo, a vida, não são do modo que ela pensava que eram. Embora a impressão que criou o choque possa ser objetivamente correta, ainda assim a dedução que a criança é capaz de fazer fatalmente será incorreta. Porque as crianças tendem a generalizar, elas projetam as suas próprias experiências sobre todas as outras alternativas. Os pais de uma criança são o seu mundo, o seu universo, e portanto o que a criança conclui após o choque deve ser aplicado a todas as outras pessoas, à vida em geral. Essa aplicação generalizada é a conclusão errônea que cria a imagem.
A imagem foi criada quando o mundo e os conceitos ordenados da criança foram destruídos. As conclusões errôneas derivam, em primeiro lugar, da generalização. A realidade é que nem todas as pessoas têm as mesmas limitações que os pais: nem todas as condições de vida são semelhantes àquelas que a criança descobre no seu próprio ambiente. Em segundo lugar, o mecanismo de defesa que a criança escolhe com uma compreensão limitada do mundo é errado em si mesmo; e ele o é ainda mais quando aplicado a pessoas e situações outras que não aquelas do ambiente infantil. Esses, meus amigos, é o modo como as imagens são criadas. Mas você não se recordará espontaneamente das suas emoções, reações, intenções interiores e das suas conclusões. Você não pode recordar-se delas porque sentiu a necessidade de esconder todo esse procedimento pela sua falta de lógica racional e também porque sentia vergonha pelo fato de seus pais não serem o que você pensava que eles deviam ser.
Na sua mente infantil você presumiu que o seu caso era singular. Todo mundo tinha pais perfeitos, perfeitas condições familiares, e só você experimentava essa singularidade chocante que tinha que ser escondida de todos, até de você mesmo, bem como, é claro, dos seus pais e de outra pessoas próximas. A vergonha originou-se da idéia equivocada de que o seu caso era único, e todo o processo emocional tinha que ser escondido por causa da vergonha.
Quando esses processos permanecem escondidos, parte da sua personalidade não pode crescer. Se uma planta é deixada na terra com as suas raízes cortadas, ela não pode crescer. O mesmo se dá com cada com corrente ou tendência emocional. Portanto, você não deve ficar surpreso ao descobrir que as suas imagens-conclusões não se conformam absolutamente à sua inteligência adulta.
Um bebê ou uma criança muito pequena conhece apenas as emoções mais primitivas; conhece o amor e o prazer, quando a sua vontade é satisfeita; conhece ódio, ressentimento e dor quando isso não acontece. É simples assim. Só mais tarde é que ela aprende a avaliar objetivamente, em vez de dar ouvidos à sua própria dor ou prazer.
Enquanto a sua imagem vive, você continua no procedimento infantil porque, neste aspecto, a sua mente permanece infantil, não importa o quanto o resto de sua personalidade tenha progredido e aprendido. A sua personalidade desenvolvida é capaz de julgar de forma madura no nível intelectual e, em alguns casos nos quais nenhuma corrente ligada a imagens obstrui a sua percepção, até mesmo emocionalmente. Porém, onde essa impressão chocante lenta ou repentina afetou a alma, não se assimila a experiência conscientemente e, portanto, a mente permanece infantil; ela permanece no estado em que estava quando as imagens-conclusões foram formadas e mandadas para o inconsciente. Conseqüentemente, uma parte de um ser maduro, em outros aspectos permanece imatura. Na verdade, essa parte continua a fazer as mesmas deduções que a criança fez, de forma emocional e inconsciente, enquanto a imagem não é levada para a consciência.
Por exemplo, imagine uma menininha que chora quando quer atenção; a mãe, porém, imagina que atender quando a criança chora vai “estragá-la”. A criança aprende que a mãe não vem quando ela chora, mas ela vem em outros momentos, aparentemente não relacionados com o seu choro. Portanto, é tirada a seguinte conclusão: “Para ter a minha necessidade atendida, eu não devo mostrar que a tenho”. Ora, com essa mãe em particular, não mostrar as necessidades pode ser uma boa estratégia. Mas quando a garotinha se tornar mulher, é mais provável que essa estratégia produza o resultado oposto. Uma vez que ninguém saberá que ela tem uma necessidade específica, ninguém dará a ela o que precisa. Todavia, uma vez que ela é completamente ignorante da sua “imagem”, porque esta submergiu há muito tempo atrás no seu inconsciente, ela passará pela vida sem entender por que é tão frustrada. Ela não sabe que age de tal forma que a vida parece confirmar a sua crença errônea.
Será que eu tenho uma imagem?
Como você pode estar certo que uma imagem assim existe no seu interior? Uma indicação é que você não consegue superar certas falhas, não importa o quanto tente. Por que as pessoas amam alguns dos seus defeitos? Elas o fazem pela simples razão de que uma imagem faz com que certos defeitos pareçam uma maneira de proteger-se da dor. Por exemplo, uma pessoa sabe que é preguiçosa; mas ela pode não saber que a relutância de sair da cama e sair para o mundo é uma proteção erroneamente concebida contra a possibilidade de ser ferida. “Se eu permanecer na cama, ninguém pode me ferir”, pode ser o raciocínio inconsciente. Portanto, uma imagem está no fundo dessa atitude.
Outro sinal seguro da existência de uma imagem é a de certos incidentes na vida de uma pessoa. Uma imagem sempre forma um padrão de comportamento ou reação de uma maneira ou de outra; ela também atrai um padrão de ocorrências exteriores que parecem surgir sem que você faça nada para produzi-las. Conscientemente, a pessoa pode desejar ardentemente algo que é exatamente o oposto da imagem, porém o desejo consciente é o mais fraco dos dois, uma vez que o inconsciente é sempre mais forte.
A mente inconsciente não percebe que ela impede a realização do mesmo desejo que a pessoa tem conscientemente mas não pode realizar,e que o preço por essa pseudoproteção inconsciente é a frustração do desejo legítimo. É muito importante que isso suja compreendido, meus amigos. É de igual importância entender que os eventos externos – certas situações, certas pessoas – podem ser atraídas como um imã para uma pessoa por conta de imagens interiores como essas. Isso pode ser difícil de perceber, mas é assim. O único remédio consiste em descobrir qual a imagem, em que base ela está formada e quais foram as conclusões erradas.
Com freqüência vocês não percebem a repetição e o padrão nas suas vidas, meus amigos. Vocês apenas passam por cima do óbvio. Estão acostumados a presumir que certos eventos são coincidências, ou que algum destino os está testando arbitrariamente, ou que outras pessoas à sua volta são responsáveis pelos seus repetidos infortúnios. Como conseqüências, você presta mais atenção às ligeiras variações de cada incidente do que ao seu caráter básico, e falham em notar o denominador comum de todos os acontecimentos devidos à sua imagem.
A maioria dos psicólogos descobriu esses padrões e conclusões errôneas. O que eles em geral não sabem é que essas imagens raramente foram iniciadas nesta vida, não importa o quão cedo elas foram formadas. Na maior parte do tempo uma imagem é muito antiga, sendo carregada de uma vida para outra. É por isso que incidentes que não formarão imagens em uma criança ou em uma pessoa que está livre desse conflito em particular colaborará para formar uma imagem em alguém que trouxe essa imagem para esta vida.
Quando existem imagens de vidas anteriores, a encarnação ocorre num ambiente que deve criar provocações às imagens presentes, talvez por meio de imagens correntes semelhantes nos pais ou em outras pessoas que cercam a criança em crescimento. Só assim a imagem emergirá novamente; só quando ela se torna um problema é que a pessoa vai prestar-lhe atenção, em lugar de desvias o olhar. Se a imagem é ignorada, as circunstâncias ficarão muito difíceis na próxima vida na terra, até que os conflitos se tornem tão avassaladores que fatores externos não mais possam ser considerados culpados. Então a pessoa começa a voltar-se para dentro.
A única solução é tornar conscientes as imagens. Eu lhe dou pistas de como começar, mas você não será capaz de colocá-las em prática completamente sozinho. Vai precisar de ajuda. Mas, se existir seriedade no seu desejo de encontrar e dissolver as imagens na sua alma, mais ajuda e orientação irão chegar e você será conduzido à pessoa adequada, com a qual poderá formar uma organização cooperativa de trabalho. Para fazê-lo, precisará, entre outras coisas, de humildade, essencial para o seu desenvolvimento espiritual. A pessoa que está continuamente relutando em trabalhar com outra tem necessariamente falta de humildade, mesmo que seja apenas nesse aspecto específico.
Como procurar imagens
Então, como é possível localizar as suas imagens pessoais? Você não o fará trabalhando nos sintomas, quaisquer que possam ser, antes porém, trabalhando com os sintomas. Esses sintomas são a sua incapacidade para superar certas falhas e atitudes; a sua falta de controle sobre certos eventos da sua vida que se repetem e criam um padrão; os seus medos e resistências em ocasiões específicas, para citar apenas alguns. Quanto mais você tenta eliminar os sintomas sem que tenha compreendido suas raízes e origem, mais vai se exaurir em esforços inúteis. Os sintomas são apenas uma parte do preço que você paga por suas conclusões interiores errôneas e ignorantes.
Comece a busca das imagens recapitulando a sua vida para localizar todos os problemas. Anote-os. Inclua problemas de todos os tipos. Você precisa se dar ao trabalho de descrever tudo concisamente, preto no branco, pois se apenas pensar a respeito, não terá a visão geral necessária para comparação. Esse trabalho escrito é essencial. Certamente que não é pedir demais. Você não tem que fazê-lo todo em um único dia; faça com calma, mesmo que leve alguns meses. É melhor ir devagar do que simplesmente não começar.
Então, quando você tiver pensado em todos os seus problemas, grandes e pequenos, mesmo os mais desprovidos de sentido, os mais insignificantes, comece a procurar pelo denominador comum. Você vai constatar, na maioria dos casos, a existência de um denominador comum, às vezes mais de um. Eu não digo que uma dificuldade não possa ocorrer apenas uma vez na sua vida, independente de qualquer imagem interior. Isso é possível. Esse fato também baseia em causa e efeito, como tudo no Universo, mas pode não estar ligado à sua imagem. Seja, porém, cauteloso. Não ponha uma ocorrência de lado superficialmente, considerando-a sem conexão com a sua imagem pessoal simplesmente porque assim lhe parece à primeira vista. É bem possível, e até provável, que não existam esses acontecimentos na sua vida. Todas as experiências desagradáveis são provavelmente devido à sua imagem e relacionadas com ela, mesmo que de alguma maneira remota.
O denominador comum pode não ser fácil de achar. Só depois que você tiver compreendido as suas imagens é que estará em posição de julgar quais de suas experiências, se alguma, tem algo a ver com ele. Até então você deve manter esse julgamento em reserva, por assim dizer. Medite, investigue a si mesmo com seriedade, verificando suas reações emocionais no passado e no presente, e com ajuda da prece, depois de uma longa e árdua busca, você irá descobrir qual é o denominador comum.
Não descarte algo apressadamente por não lhe parecer relacionado com o resto. Sonde, e você talvez tenha uma surpresa. Os eventos aparentemente mais díspares terminam por ter um denominador comum. Quando você o tiver encontrado, terá dado um importante passo à frente na sua busca, porque então possuirá um indício que conduz à sua imagem. Para chegar à imagem em si, a todos os caminhos tortuosos através dos quais ela foi formada e à compreensão da sua reação quando você a formou, será necessário explorar o seu inconsciente de forma mais completa.
Os benefícios da dissolução das imagens
Não se deixe dissuadir por sua própria resistência interna, pois esta é tão errônea e míope quanto a própria imagem. A força que faz com que você resista é exatamente a mesma que criou a imagem, logo de início; sem que você saiba, ela criou e continuará a criar infelicidade em sua vida e vai contrariar os seus desejos conscientes. Na verdade, ela faz com que você perca, ou nunca obtenha, aquilo que podia ser seu por direito. Portanto, tenha sabedoria o bastante para ver através disso e para avaliar a sua própria resistência pelo que ela realmente vale. Não se deixe governar por ela.
Como você pode ser uma pessoa espiritualizada, uma pessoa desenvolvida e desprendida no bom sentido, se continua sendo governada pelas suas forças inconscientes e por aquelas conclusões ilógicas, errôneas e ignorantes que formaram uma imagem tão dolorosa no seu interior? A imagem é o fator responsável por toda a sua infelicidade. Ninguém mais é responsável por ela, senão você mesmo. É verdade que você não sabia de nada antes, mas agora sabe.
Você está agora equipado para eliminar a fonte da sua infelicidade; e, por favor, não diga: “Como posso ser responsável por outras pessoas agirem de uma certa maneira, repetidamente, em relação a mim?” Como eu disse antes, é a sua imagem que atrai esses acontecimentos em sua direção, de forma tão inevitável como a noite segue o dia nesta Terra. É como um imã, como uma lei química, como a Lei da Gravidade. Os componentes da sua reação que formam a imagem influenciam as correntes universais que penetram a sua esfera pessoal de vida de maneira tal qual certos efeitos devem ocorrer, de acordo com a causa que desse modo você pôs em ação.
Se não tem coragem de escavar o seu inconsciente, de encarar a sua imagem, dissolvê-la e assim fazer de si mesmo uma nova pessoa, você nunca será livre nesta vida; estará sempre acorrentado e amarrado. O preço da liberdade é a sua coragem e as sua humildade em encarar o que está por dentro. Quando tiver dado todos os passos necessários, a vitória da liberdade é uma prazer tão grande que, não importa o que aconteça fora de você, nada pode empanar a sua felicidade.
Ademais, você pode ter certeza de que as imagens que não forem dissolvidas nesta vida terão de ser dissolvidas numa vida futura. Isso não deve ser tomado como uma ameaça; é apenas uma conseqüência lógica. E como pode ser uma ameaça algo que deve libertá-lo das suas cadeias? O quanto antes você descobrir as suas imagens de livre e espontânea vontade, mais fácil será a sua libertação. Você pode seguramente acreditar nisso.
Achar, compreender e dissolver uma imagem é um longo processo. Mesmo depois que você a tenha compreendido, a reeducação das correntes e reações emocionais, que foram condicionadas numa direção por um longo período, leva tempo, exige esforço e paciência. Você pode revoltar-se contra a infelicidade, porém quando perceber que a causa não é Deus nem o destino, mas você mesmo, sua revolta pode virar-se na sua própria direção e então você vai ficar impaciente consigo mesmo. Com essas correntes, você jamais será bem-sucedido em localizar e dissolver a sua imagem; você tem que estar em um estado mental descontraído, e esse estado só pode ser conseguido quando você entende e aceita a longa duração da busca.
Enquanto estiver buscando a imagem, não aborde o seu subconsciente com atitude moralista. Ele não gosta disso e irá resistir. Ele lutará contra você e tornará mais difícil um acordo com a sua consciência volitiva. Comece por pensar nas suas feridas, conflitos e problemas. Considere as suas atitudes interiores incorretas como ignorância e erro. Na verdade, todas as falhas o são! Comece pensando sobre as suas idiossincrasias, seus preconceitos, suas emoções tensas em certos campos da vida. Pense em como você reage emocionalmente a certas coisas e em quando e como essas reações se repetem como um padrão ao longo da vida. Comece com uma visão dos seus desapontamentos, que aparentemente nada têm a ver com as suas ações ou reações. Depois, quando reconhecer um certo padrão regular, você será capaz de ver a conexão com a sua atitude interior, que pode então ter escapado à sua consciência.
Para mim, meditação, ou prece profunda, ou pensamento profundo, significa tomar tudo o que você descobriu acerca dessas reações reprimidas ou ocultas – que digam respeito à tendência que você encontra repetidamente, quer você se depare com reações muito diferentes daquelas reações externas que já conhece – e refletir sobre os eu significado, sua importância, seu efeito sobre você e sobre os outros. Compare-se com a Lei Espiritual tal como você a conhece agora. Pense a respeito disso, tanto do ponto de vista espiritual quanto do ponto de vista prático.
Trabalhe com esse conhecimento recém-descoberto sentindo-o e experimentando-o novamente. Então pense outra vez cobre ele tão objetivamente quanto o sabe fazer agora. Simplesmente mude o seu pensamento para um nível mais profundo e o aplique ao conhecimento novo que você obteve, tanto aos reconhecimentos aparentemente repetidos quanto aos chocantemente novos e diferentes. Não deixe essa nova compreensão de lado, senão você pode resvalar de volta para o mesmo velho padrão.
Você pode facilmente enganar-se e pensar que, somente porque descobriu uma informação importante e significativa sobre a sua alma, nada mais é necessário. Você pode ter o conhecimento teórico e ainda assim continuar reagindo da mesma velha maneira. Não é suficiente compreender interiormente suas tendências e reações ocultas e para por aí. O trabalho só começa depois desse reconhecimento. E essa é a meditação em profundidade, no nível emocional profundo que você descobriu. Caso negligencie essa meditação, você pode reter o que encontrou, mas gradualmente ele vai ficar mais remoto, uma mera informação teórica no seu cérebro, enquanto por debaixo você continua reagindo como antes. Nesse caso você não terá obtido sucesso em integrar e unificar as suas reações emocionais erradas e conclusões errôneas com o seu conhecimento intelectual.
As emoções dependem mais do hábito do que as tendências exteriores. Além do mais, elas são tão enganadoras que, a despeito dos seus esforços, os seus velhos padrões podem simplesmente continuar agindo sem que você tome consciência desse fato. Você está acostumado a empurrar o conhecimento desagradável para o subconsciente, e não pode perder esse hábito de um dia par o outro. É preciso uma grande quantidade de treino, de concentração e esforço. Novos padrões de hábitos têm que ser estabelecidos até que você reconheça os sinais das tendências que devem ser tornadas conscientes. Você tem que desenvolver uma sensibilidade especial para isso – e, é claro, leva tempo.
Vergonha
Tudo o que tem ligação com as imagens interiores errôneas causa à pessoa uma forte vergonha. A atitude ou conclusão em questão pode nem mesmo ser vergonhosa objetivamente falando. Talvez não houvesse nenhuma razão para a vergonha, caso ela estivesse à luz do dia; você não sentiria que ela merecesse essa reação, se a encontrasse em outras pessoas.
Depois de ter a coragem de trazê-la à luz, você experimentará por si mesmo como esse sentimento de embaraço e vergonha desaparece por completo. Mas, antes dessa exposição, enquanto você ainda está lutando com ela, você sentirá a vergonha com muita força.
Você pode ter um defeito que é muito mais embaraçoso, mas, tendo-o descoberto há muito tempo atrás, você o aceitou, chegou a um acordo com ele e portanto não se sente mais envergonhado, podendo, talvez, até mesmo ser capaz de discuti-lo abertamente com outras pessoas. Contudo, algo que é um defeito muito menor causa-lhe profunda vergonha, enquanto você não entra em acordo com ele.
Digamos que você descubra que foi fortemente influenciado por um de seus pais e é muito dependente dele. Isso por si só não é motivo para se envergonhar; isso é algo que se discute geralmente todos os dias. Mas você tinha estado inconsciente disso até agora, ignorava o quanto e de que maneira foi influenciado e o quanto permanece dependente de emoções semelhantes. Porém, quando você se depara pela primeira vez com essa idéia, ela causa um sentimento de agudo embaraço. Essa é uma típica reação ligada a uma imagem. Meus amigos. E se você a antecipar, novamente tornará as coisas mais fáceis para si mesmo. Você não estará sob impressão emocional, subjetiva, de que está sozinho no mundo ou que só você tem tais sentimentos, pois é nisso que as suas emoções acreditam e é por isso que você se sente tão envergonhado.
Essa crença é um sinal do sentimento de separação que você sofre em tais momentos. Mas se você se der conta de que todo mundo está passando por essa reação, de que ela é um sintoma a ser esperado, será capaz de contrabalançar a sua impressão emocional subjetiva falaciosa, não lhe dando atenção em vez de continuar se deixando governar por ela. Só assim você pode libertar-se da muralha de separação que o fecha na escuridão, na solidão e no medo, na culpa e na falsa vergonha. Só você pode evoluir como uma pessoa livre, com a cabeça erguida, em vez de ser governado e suprimido pelas suas impressões erradas e pela falsa vergonha. É preciso apenas um momento de coragem para atravessar aquilo que parece tão vergonhoso e para encara-se como realmente é. Você não descobrirá que viveu em um mundo fantasmagórico de medos e vergonhas que absolutamente não é real.
Com muita freqüência, a vergonha não surge porque de repente você descobriu algo muito maldoso ou horroroso. Não! Você pode ficar muito mais envergonhado por algo simplesmente tolo. Se você entender que, quando formou a imagem, o raciocínio que agora faz se envergonhar estava de acordo com a sua capacidade de pensamento e raciocínio, você só é tolo relativamente. E você, ser humano inteligente que é, não pode reconciliar-se com o fato de que uma reação tão “boba” ainda vive no seu íntimo. Você está agora no ponto em que realmente reconhece que essa foi a sua dedução, a sua conclusão durante anos até o presente, e agora fica bastante embaraçado em ver que isso era parte da sua mente, da sua “mente subterrânea”, mas ainda assim da sua mente, da sua reação.
Será mais fácil para você aceitar isso se considerar que nesse aspecto você continuou sendo uma criança, porque deixou todo o processo de raciocínio na escuridão da mente subconsciente. Também é de grande ajuda perceber que não existe ninguém que você possa citar entre todos que conhece que não possua as suas próprias imagens, e, portanto, incongruências semelhantes. Se você conversasse com uma criança de, digamos, quatro ou dez anos, você não ficaria surpreso em encontrar esse raciocínio. Aperceba-se disso e você vai superar o constrangimento.
Antes que você possa mudar o que quer que seja, você precisa entender o que em você mesmo causa todo esse sofrimento. Só então, lentamente, de forma gradual, você será capaz de reeducar as suas emoções, dissolver as suas imagens e criar na sua alma formas novas e produtivas que correspondam à Lei Divina.
Vou me retirar agora, com as bênçãos especiais que estão vindo para todos vocês, meus queridos. É a bênção da coragem de que todos vocês tanto precisam. Fiquem em paz; fiquem com Deus.
O CÍRCULO VICIOSODO DO AMOR IMATURO.
Saudações, meus queridos amigos. Que Deus abençoe esta reunião; Deus abençoe a todos.
Eu vou discutir agora um dos círculos viciosos, muito comum entre os seres humano. Até certo ponto, ele opera em toda a alma humana. Na maior parte do tempo ele vive no subconsciente, embora certas partes do círculo possam ser conscientes. É importante neste Pathwork que você siga esse círculo até revelá-lo por inteiro pois, do contrário, não poderá dissolvê-lo. Minhas palavras são dirigidas, não tanto à sua mente consciente, ao seu intelecto, mas ao nível dos seus sentimentos, onde esse círculo vicioso tem a sua existência.
Mesmo que tenha consciência de algumas partes desse círculo vicioso use estas palavras para procurar por todas as outras partes das quais você ainda não é consciente. Talvez existam poucos entre vocês que não tenham sequer a mínima consciência de nenhuma parte desse círculo. Nesse caso, minhas palavras vão guiá-los para tomas ao menos uma parte dele consciente. Isso não será tão difícil porque muitos dos seus sintomas vão mostrar-lhe facilmente que, embora inconsciente, um círculo desse tipo realmente vive no seu íntimo.
Entretanto, não pense que isso significa que você conscientemente pensa e reage de acordo com esse circulo vicioso; perceba que ele está oculto. Cabe a você tornar consciente essa reação em cadeia ao trabalhar neste Pathwork de autodescoberta e de auto-desenvolvimento. Torna-se consciente dessas correntes vai proporcionar-lhe liberdade e vitória.
A maioria de vocês percebe que existe um modo ilógico de pensar, de sentir e de reagir em cada personalidade, mesmo que no nível consciente vocês sejam mais lógicos. Tudo no inconsciente é primitivo, ignorante e com freqüência ilógico, embora ele siga uma certa lógica limitada que lhe é própria.
O círculo vicioso que é o meu assunto desta noite começa na infância, onde todas as imagens são formadas. A criança é indefesa: ela precisa de cuidados; ela não pode suster-se sobre as próprias pernas; ela não pode tomar decisões maduras; ela não pode ser livre de motivações fracas e egoístas. Por conseqüências, a criança é incapaz de sentir um amor altruísta. O adulto maduro desenvolve-se em direção a esse amor desde que a personalidade amadureça harmoniosamente e contanto que nenhuma das reações infantis permaneça oculta no inconsciente. Se isso acontece, apenas uma parte da personalidade vai crescer, enquanto outra parte – por sinal muito importante – continuará imatura. Existem muito poucos adultos tão maduros emocional quanto intelectualmente.
A criança quer amor exclusivo
A criança entra em contato com um ambiente mais ou menos imperfeito que tra à tona os seus problemas interiores. A criança em sua ignorância anseia por um amor exclusivo que não é humanamente possível. O amor que ela quer é egoísta: ela não quer dividir amor com outros, com irmãos ou irmãs ou mesmo com um dos pais. A criança com freqüência tem ciúmes de ambos os pais. Contanto, se os pais não se amam, a criança sofre ainda mais.
Assim, o primeiro conflito surge de dois opostos. Por um lado, a criança deseja o amor de ambos os pais exclusivamente; por outro lado, ela sofre se os pais não se amam. Uma vez que a capacidade de amor de qualquer pai ou mãe é imperfeita, a criança não compreende que apesar da imperfeição a maioria dos pais é ainda assim plenamente capaz de amar mais de uma pessoa. Todavia, a criança se sente rejeitada e excluída se o pai ou mãe também amam a outros. Em resumo, os anseios da criança jamais podem ser satisfeitos. Ademais, sempre que esta é impedida de ter as coisas a sua maneira, ela toma esse fato como uma “prova” adicional de que não é amada suficientemente.
Essa frustração faz com que a criança sinta-se rejeitada, o que, por sua vez, causa ódio, ressentimento, hostilidade e agressão. Essa é a segunda parte do círculo vicioso. A necessidade do amor que não pode ser satisfeita gera ódio e hostilidade em relação às mesmas pessoas a quem mais se ama. Falando de modo geral, esse é o segundo conflito do ser humano em crescimento. Se a criança odiasse alguém a quem ela não amasse ao mesmo tempo, se ela amasse à sua própria maneira e não desejasse amor em retorno, tal conflito não poderia surgir.
O fato de existir ódio pela própria pessoa que se ama muito cria um importante conflito na psique humana. É óbvio que a criança sente-se envergonhada dessas emoções negativas e portanto coloca esse conflito no inconsciente, onde ele se torna como que uma infecção. O ódio causa culpa porque a criança aprende desde cedo que é mau, errado e pecaminoso odiar, particularmente os próprios pais, a quem se deve amar e honrar. É essa culpa, vivendo no inconsciente, que na personalidade adulta causa toda sorte de conflitos internos e externos. Além do mais, as pessoas não tem consciência das raízes desses conflitos até que decidam descobrir o que está oculto no seu subconsciente.
Medo do castigo, medo da felicidade
Essa culpa tem uma outra, também inevitável, reação. Ao se sentir culpado, o inconsciente da criança diz: “Eu mereço ser castigado”. Assim, um medo do castigo surge na alma, o qual,, novamente, é quase sempre totalmente inconsciente. Não obstante, as manifestações podem ser encontradas em vários sintomas, os quais se acompanhados até o fim, conduzirão às reações em cadeia que descreverei a seguir.
Com esse medo do castigo inicia-se uma outra reação na qual, sempre que você está feliz e sente prazer, apesar de esse ser um anseio natural, você sente que não o merece. A culpa por odiar aqueles que mais ama convence a criança que não é merecedora de nada que seja bom, alegre ou prazeroso. A criança sente que se ela tivesse que ser feliz algum dia, o castigo, que parece inevitável, seria ainda maior. Portanto a criança evita inconscientemente a felicidade, pensando dessa forma dar uma compensação e assim evitar uma punição ainda maior. Essa fuga da felicidade cria situações e padrões que sempre parecem destruir tudo que é mais ardentemente desejado na vida.
É esse medo da felicidade que leva uma pessoa a todos os tipos de reações, sintomas, esforços não saudáveis, manipulações de emoções e até mesmo a ações que indiretamente criam padrões que parecem acontecer involuntariamente, sem que a personalidade seja responsável por eles. Assim, um outro conflito passa a existir. Por um lado, a personalidade anela por felicidade e satisfação; por outro, um medo da felicidade impede a satisfação. Embora o desejo de felicidade jamais possa ser erradicado, ainda assim, devido a esse sentimento de culpa profundamente oculto, quanto mais se deseja a felicidade, mais culpado se sente.
Ora, o medo de ser punido e o medo de não merecer a felicidade cria uma outra reação, ainda mais complicada. A mente inconsciente pensa: “eu tenho medo de ser punido pelas outras pessoas, embora saiba que o mereço. É muito pior ser punido pelos outros, porque estarei realmente à mercê deles, sejam pessoas, seja o destino, Deus ou a própria vida. Mas, talvez, se eu mesmo me punisse, poderia ao menos evitar a humilhação, a exposição e a degradação de ser punido por forças externas a mim mesmo”. Os conflitos básicos de amor e ódio, de culpa e medo do castigo existem em toda personalidade humana. O desejo compulsivo de autopunição, devido a conclusões errôneas e ignorantes, existe em algum grau em todo ser humano.
Assim, a personalidade inflige um castigo a si mesma. Isso pode ocorrer de várias maneiras: por doença física produzida pela psique ou por vários infortúnios, dificuldades, fracassos ou conflitos em qualquer área da vida. Em cada caso a área afetada depende da imagem pessoal que a criança formou e carregou durante essa vida até que ela seja descoberta, e com o tempo, dissolvida. Portanto, caso exista uma imagem relacionada com a profissão ou a carreira, por exemplo, ela será fortalecida pelo desejo inerente de autopunição; dificuldades nesse aspecto surgirão constantemente na vida conjugal, o mesmo se aplicará nesse caso.
Portanto, se e quando você não for bem sucedido em um desejo consciente e legítimo o olhando para a sua vida você descobrir que a satisfação desse desejo consciente foi constantemente frustrada, formando um padrão, como se você nada tivesse a ver com isso (como se o destino cruel se tivesse abatido sobre você), pode estar certo de que não apenas uma imagem e uma conclusão errônea existem em seu interior, mas que, além disso, a necessidade de autopunição também está presente.
Outra relação em cadeia nesse círculo vicioso é a divisão da personalidade em suas corrente de desejo. A divisão original entre amor e ódio, que iniciou o círculo vicioso, causa mais divisões, como você pode ver claramente agora. Um desses sentimentos conflitantes é a necessidade de autopunição, porém, por outro lado, o desejo de não ser punido coexiste com ele. Por conseguinte, uma parte oculta da psique humana argumenta: “Talvez eu possa evitá-lo. Talvez eu possa compensar de outra maneira a minha grande culpa por odiar”. Essa compensação imaginária significa uma espécie de barganha. Ela é feita pelo estabelecimento de um padrão tão alto para si mesmo que é impossível atingi-lo na realidade. A pequena voz interior argumenta: “Se eu for perfeito, se eu não tiver falhas nem fraquezas, se eu for o melhor em tudo que fizer, então eu posso compensar o meu ódio e ressentimento no passado”. E, uma vez que essa voz foi, num certo ponto, reprimida para o inconsciente, ela não morreu; ela continua viva no presente.
Duas consciências
Você só pode superar alguma coisa se puder ventilá-la. É por isso que o mesmo velho ódio ainda dura em você. É também por esta razão que você se sente constantemente culpado. Caso fosse realmente uma questão do passado, você não sentiria essa culpa aguda todo o tempo, mesmo que não seja consciente. Você pensa que, sendo tão perfeito, pode fugir do castigo. Dessa forma, uma segunda consciência está sendo criada.
Na realidade, existe apenas uma consciência: é o Eu Superior, que é eterno e indestrutível; ele é a centelha divina de cada ser humano. Não confunda essa consciência com a segunda consciência, que foi artificialmente criada pela compulsão de compensar um suposto pecado, ou mesmo uma falha verdadeira. Nem pecados imaginários, nem falhas reais podem ser compensados por essa consciência artificial e superexigente. Na realidade, ninguém precisa ser punido. Como todos vocês já sabem, o modo de eliminar falhas verdadeiras é muito diferente e muito mais construtivo. Se e quando você finalmente diferenciar esses dois tipos de consciência, terá dado um grande passo à frente.
A segunda consciência, compulsiva, faz exigências impossíveis de serem atendidas. O que acontece quando você não pode atingir essas metas? Inevitavelmente, o resultado será um sentimento inadequação e inferioridade. Uma vez que você não sabe que os padrões da sua consciência compulsiva são irracionais, irreais e impossíveis de realizar, e uma vez que você acredita, atrás da sua muralha de separação, que os outros podem ter sucesso enquanto apenas você não pode, você se sente completamente isolado e envergonhado, com o seu segredo carregado de culpa de não apenas odiar, mas de também ser bom e puro.
A segunda consciência é motivada por fraqueza e medo. Ela é muito orgulhosa para perceber que você simplesmente não pode ser tão perfeito, ainda. Ela também é por demais orgulhosa para permitir que você se aceite como é agora. Portanto, você necessariamente vai se sentir inferior, porque não é capaz de adequar-se a esses elevados padrões. Todos os sentimentos de inferioridade na natureza humana podem ser reduzidos a esse denominador comum. Enquanto esse fato não for sentido e experimentado, você não pode abandonar os sentimentos de inferioridade. Você tem que passar pelas emoções que o criaram. Somente então dissolverá a reação em cadeia ponto por ponto e criará novos conceitos no interior do se Eu emocional.
As racionalizações que você usa para explicar os seus sentimentos de inferioridade, quaisquer que sejam elas, nunca são a verdadeira causa. Na verdade, outras pessoas podem ser mais bem-sucedidas de um modo ou de outro, mas isso por si mesmo nunca poderia fazê-lo sentir-se inferior. Sem os seus padrões artificialmente elevados, você não sentiria a necessidade de ser melhor que, ou pelo menos tão bom quanto, os outros em todos os campos de sua vida. Você poderia aceitar com equanimidade que outros são melhores ou têm melhor desempenho em algumas áreas, enquanto você tem vantagens que outros podem não ter. Você não teria que ser tão inteligente, tão bem-sucedido, tão bonito quanto as outras pessoas. Esse jamais é o verdadeiro motivo para os seus sentimentos de inadequação e inferioridade! Essa verdade é sustentada pelo fato de que as pessoas mais brilhantes, mais bem-sucedidas, mais bonitas comumente têm sentimentos de inferioridade mais sérios que outras que são menos brilhantes, menos belas ou menos bem-sucedidas
Perpetuação da inadequação e da inferioridade
Essa inadequação e inferioridade servem para fechar ainda mais essa círculo vicioso. Novamente, a sua vozinha interior argumenta: “Eu fracassei. Sei que sou inferior, mas, ta;vez, se eu pudesse pelo menos receber uma grande quantidade de amor, de respeito e de admiração dos outros, isso traria a mesma satisfação pela qual eu originariamente ansiava e que me foi negada no passado, colocando-me assim forçosamente numa posição de odiar e de criar todo esse círculo vicioso. A admiração e o respeito dos outros seriam também a prova de que eu estava justificado, pois é possível agora receber o que meus pais negaram. Isso vai mostrar também que eu não sou tão inútil quanto suspeito quando falho em corresponder aos padrões da minha consciência compulsiva”.
Naturalmente, esses pensamentos nunca são elaborados conscientemente; contudo, esse é o modo como as emoções argumentam sob a superfície. Portanto, o círculo fecha onde começa, e a necessidade de ser amado torna-se muito mais compulsiva do que era inicialmente. Todos os diversos pontos das reações em cadeia tornam a necessidade muito mais forte. Além disso, sempre existe uma suspeita de que o ódio era injustificado – o que é verdade, mas em um sentido diferente.
A personalidade sente no inconsciente que, se esse amor realmente existe, então a criança estava certa e seus pais, ou quem quer que tenha negado amor a você, estavam errados. Assim, o anseio por amor torna-se cada vez mais tenso. Uma vez que essa necessidade jamais pode ser satisfeita – e quanto mais isso se torna aparente, maior se torna a culpa – todos os pontos seguintes no círculo vicioso tornam-se cada vez piores à medida que a vida avança, sempre criando mais problemas e conflitos. Só quando você deseja amor de uma maneira saudável e madura e, apenas quando você está disposto a amar na mesma medida em deseja ser amado, é que o amor virá.
Lembre-se de que a personalidade em que esse círculo vicioso é forte jamais pode assumir esse risco enquanto continuar a desejar o imaturo amor infantil. Já que ela não pode arriscar nada pelo amor, ela não sabe como amar de forma madura. A criança não tem a obrigação de assumir esse risco, mas o adulto tem. A criança interior tem apenas o desejo e o anseio imaturo por amor e quer ser amada e acarinhada, cuidada e admirada mesmo por pessoas a quem ela não tem intenção de retribuir o amor. E com as pessoas a quem ela tem a intenção de retribuir, em certa medida, a proporção entre sua disposição de dar e sua necessidade compulsiva de receber é muito desigual.
Em razão desse desequilíbrio, esse esquema jamais poderá funcionar, pois a Lei Divina é sempre justa e equilibrada. Você nunca recebe mais do que investe. Quando você investe livremente pode ser que não receba de volta imediatamente da mesma fonte em que você o investiu, porém em algum momento ele deverá fluir de volta para você, desta vez em um círculo benigno. O que você dá influirá de volta, contando que você não dê em fraqueza, com o intuito de provar alguma coisa. Se os motivos para o amor limitado que você dá forem inconscientemente baseados nesse círculo vicioso, você jamais poderá receber amor de volta. O amor que você deseja na idéia equivocada de que vai deixá-lo quite não é a resposta. Em outras palavras, você procura um remédio que não serve para a sua doença, portanto a sua fome de amor permanecerá, sem ser aplacada. É como um poço sem fundo. Assim se fecha o círculo.
A dissolução do círculo
O seu trabalho neste Pathwork é descobrir esse círculo dentro de você mesmo, vivenciá-lo, particularmente quanto a onde, a onde, a como e em relação a quem vive no seu interior. Tudo isso tem que se tornar uma experiência pessoal antes que você possa realmente dissolvê-lo. Se você deixar que esse círculo seja apenas um conceito intelectual, sem revivê-lo emocionalmente, o seu conhecimento não irá ajudá-lo.
Repetindo: se você não puder identificar os vários pontos desse círculo vicioso nas suas emoções, a existência dessa reação em cadeia será apenas mais um dado de conhecimento teórico que você absorveu, inteiramente à parte de suas emoções. Uma vez que você descubra esse círculo no seu trabalho pessoal, será possível rompê-lo, mas só depois de perceber onde se encontram as premissas erradas.
Você terá de ver que quando criança você tinha justificativa para o fato de ter certos sentimentos, atitudes e incapacidades que agora são obsoletos. Terá também que apreender a ser tolerante com as suas emoções negativas. Você tem que compreendê-las. Tem de descobrir onde você se desvia do seu conhecimento consciente nas suas tendências, exigências e desejos emocionais. Pode ser que você saiba, e até pregue, que tem que dar amor sem estar tão preocupado em receber, mas todos vocês, nas suas emoções, ainda se desviam desse conceito intelectual.
A discrepância tem que se tornar completamente consciente antes que você possa ter esperanças de romper o círculo. Somente depois de ter-se dado conta de tudo isso e de tê-lo absorvido, depois de ter pensado sobre a irracionalidade de certas emoções até aqui ocultas, é que elas começarão a mudar de forma lenta e gradual. Não espere que elas mudem no exato momento em que você compreenda a sua falta de razão.
Quando você enfrenta essas emoções – sua ignorância, seu egoísmo e sua imaturidade – sem ficar envergonhado, e aplica o seu conhecimento consciente a elas, controlando-se sempre que resvalar gradualmente mais e mais conclusões errôneas. Cada ato de reconhecimento o ajudará a romper o seu círculo vicioso. Assim, você se tornará livre e independente.
A alma humana contém toda a sabedoria, toda a verdade de que precisa, mas todas essas conclusões errôneas a encobrem. Tornado-as conscientes e, então, trabalhando-as ponto a ponto, você finalmente conseguirá liberar a sua voz interior de sabedoria que o orienta de acordo com a consciência divina, segundo o seu plano pessoal.
Quando a Lei Divina é violada nas suas reações internas e externas inexoravelmente a sua consciência divina o conduz de um modo tal que restaure a ordem e o equilíbrio na sua vida. Vão ocorrer situações que parecem castigos, quando na verdade são o remédio para colocá-lo na trilha certa. Não importa onde ou quando você se desvie, o equilíbrio tem que ser restabelecido, de forma que, através das suas dificuldades, você finalmente chegue ao ponto em que muda a sua direção interna. Você vai se modificar não necessariamente em suas ações exteriores e conscientes, mas nas suas exigências e metas infantis e inconscientes.
Portanto, queridos amigos, trabalham todo esse círculo vicioso e percebam como ele é atuante nas suas vidas pessoais.
Alguma pergunta?
PERGUNTA: O que acontece com uma criança cujo ódio e hostilidade se expressam abertamente? Essa criança ainda assim teria um sentimento de culpa?
RESPOSTA: Essas manifestações externas ocorrem com freqüência em crianças. Sempre que uma criança tem um dos chamados acessos de raiva, essas emoções vêm para o campo aberto. Invariavelmente, porém, a criança é repreendida e aprende como isso é “mau”. Isso fortalece a necessidade de manter oculto o verdadeiro significado desses acessos. E mesmo que o ódio seja, às vezes, inteiramente consciente, mais tarde ele é geralmente suprimido. Então, os mesmos acessos de raiva podem continuar internamente no adulto, sem limite de idade, e cessar apenas quando esse círculo vicioso é trazido para a consciência. Algumas pessoas podem desenvolver doenças que são uma forma de ataque de raiva infantil, ou podem simplesmente tornar a vida difícil para aqueles que as cercam. Por meio de sua infelicidade, essas pessoas infligem constantemente dificuldades aos outros, com o objetivo de impor sua vontade e sua necessidade compulsiva de receber a utopia pueril de amor e cuidado perfeitos. Isso pode acontecer em vários graus. Às vezes é bastante óbvio; outras vezes é muito mais sutil e camuflado. O que as pessoas dizem quando indulgem em tal comportamento é: “Eu estou infeliz. Veja tem que tomar conta de mim. Você tem que me amar”. Isso é uma “birra” infantil sem a manifestação exterior da criança. O simples fato de que essa hostilidade possa por vezes ser expressa abertamente na infância não quer dizer necessariamente que não possa ser suprimido mais tarde
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