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Atratores Mentais - Melhorando sua Qualidade de Vida
Autoria de Ivo Maioli   

"Diga-me o que te atrai e eu te direi quem és."
Atratores mentais: o que são e como usá-los para melhorar sua qualidade de vida
Quem nunca se sentiu atraído por algo ou alguém? Você, por exemplo, já olhou alguém com admiração, respeito ou até desejo? Pode ser um artista, um amigo, uma pessoa casual. Ou talvez tenha se sentido atraído ou atraída por uma cidade ou um parque. É por isso que certas coisas se chamam "atrações", embora nem sempre o sejam!


O que você pode não estar percebendo é que o que nos atrai depende de coisas em nossa mente, a que chamamos "atratores". Distingui-los e conhecê-los é um poderoso meio para você compreender-se, ajustar-se e ter maior capacidade de autoliderança, o que resulta em melhor qualidade de vida em vários aspectos. Esta matéria mostra o que é um atrator e apresenta formas e idéias para por em prática esse conceito.

Atratores Mentais

Considere que vai haver uma festa, e você foi convidado. Uma festa tem muitos aspectos:
- quem está dando a festa
- data e hora, duração
- local e distância
- quem vai
- o que vai ter para comer e beber
- coisas para se fazer na festa (som, ao vivo ou não, videokê, dança, animador, sorteios, pula-pula)
O que você considera para decidir se vai ou não à festa, ou seja, o que é mais importante para você é:
- haver amigos seus entre os convidados?
- haver pessoas diferentes que você pode conhecer?
- um convidado é uma pessoa que você está paquerando?
- você é muito amigo do anfitrião?
- você tem um objetivo de negócios e lhe interessa cultivar relacionamentos com certos convidados?
- você está cansado e quer fazer algo por lazer?
- você está com fome e não tem nada para comer?
Qualquer critério que lhe motiva a ir à festa constitui-se em um atrator na sua mente. O atrator é o ponto central, o elemento de agregação de um propósito. Em volta dele agrupam-se as outras possibilidades, como decorrências, mas o que é importante para você é o atrator.
Quando um atrator é "desqualificado" ou deixa de existir, tudo que gira em volta dele pode ruir. Suponha que seu atrator para ir à festa é uma paquera. Se você fica sabendo que a paquera não vai mais, você pode não querer mais ir à festa porque "não está mais afim", o quer dizer que está sem atrator.
Por outro lado, quando você tem dois ou mais atratores, se um deixa de existir, outros sustentam a motivação, embora possivelmente com menor intensidade. Este é o caso, por exemplo, em que um atrator é a paquera e o outro é reencontrar um amigo há anos não visto.
Assim, a presença de um atrator inspira comportamentos, conduz à ação. Sua ausência ou baixa intensidade faz com que sintamos "preguiça", "falta de vontade".
O tipo de atrator da pessoa está relacionado até à sua competência. Uma pessoa está trabalhando; quais podem ser seus atratores? Se for algo como "realizar um bom trabalho", a pessoa fica motivada e sente prazer. Se o atrator for "ficar livre logo", sua mente vai gerar possibilidades para concretizar o que está atraindo a pessoa, e é quando esta começa a pensar em uma desculpa ou motivo para sair, como tirar uma licença. Se se machucar ou ficar doente, pode até ficar satisfeita, porque tem um motivo para realizar o que lhe está realmente atraindo.
Os atratores podem variar bastante de pessoa para pessoa. Uma faxineira muito competente disse que "o que gosto é de olhar para trás e ver tudo limpo e arrumado". Outros se sentem mais atraídos por atividades que o desafiam, porque o atrator está lá na frente, na forma de imagens de si mesmos usufruindo o prazer de terem vencido. Há pessoas que costumam, até por hábito, operar com um tipo diferente de atratores, os "objetivos repulsores", que vamos chamar aqui de contra-objetivos (afastando-nos do nome "objetivos negativos"): o que as motiva a agir é que, se não o fizerem, algo de ruim acontecerá. Esse tipo de pessoas, típicos resolvedores de problemas, uma vez que o resolvem e não têm outros, podem ficar sem rumo e portanto sem ação. Note que um contra-objetivo continua sendo um atrator, no sentido de atrair a atenção da pessoa, que o usa como referência para decisão e ação.

Mais exemplos


Note o efeito de atratores inadequados no comércio. Parece que o atrator principal de muitos comerciantes e atendentes é o que querem ganhar imediatamente, e isto pode conduzir a estratégias de venda que não levam em conta a pessoa do cliente. Se o dinheiro não for o atrator, e sim se este for a satisfação do cliente, este vai ser mais bem tratado e atendido, vai falar bem da loja e dos atendentes, e tudo isso vai fazer com que o dinheiro flua como conseqüência. Por aí você vê que certos resultados desejados não funcionam bem como atratores, são melhores como efeitos ou conseqüências destes. Com base nesses princípios é que uma corretora americana, ao invés de "vender imóveis", passou a considerar como seus produtos principais (os objetivos atratores) coisas como "conforto" e "segurança". Isso muda completamente a atitude de vendas.
No contexto escolar, um dos atratores mais freqüentes que observei foi "passar". Quando este é o único atrator, alunos colam e ficam satisfeitos com notas dentro da média. Também já vi alunos cujo principal atrator para ir às aulas parecia ser uma colega bonita!
Na televisão, parecida com o comércio, o atrator é o "faturamento", cuja evidência é o “índice de audiência". Se a audiência cai abaixo de certos níveis esperados, o programa é retirado do ar ou é modificado. Pense no que seria diferente se o atrator fosse "prestar serviços à comunidade" ou "fazer um país melhor". Para certificar-se disso, contraste as TVs comerciais com as educativas.
Curioso notar que uma pessoa alimentando desejos de vingança tem como atrator uma imagem da outra; esta é um centro originador de comportamentos. O mesmo acontece com alguém ressentido, a outra pessoa está presente na mente como um atrator. Creio que uma pessoa pode ter como atrator único uma pessoa, como cônjuge ou filho; se essa pessoa morre ou vai embora, acontece o "vazio" ou, como diz uma letra de música, "O mundo caiu no instante em que eu me vi sem você".

Atratores: sinergia e conflitos


Um atrator multiplica seu poder quando conectado a outro, pelo efeito da sinergia: a soma das partes é maior do que o todo. Para avaliar isso, imagine por exemplo como será a intensidade da sua motivação para ir à festa se tudo isto ocorrer:
- você adora dançar e vai ter boa música e bons parceiros;
- uma pessoa que você quer ver vai estar lá;
- você está cansado e precisando mudar de ambiente;
- o local de festa é fácil de chegar;
- tradicionalmente a comida fornecida pela anfitriã é muito boa.
Creio que os atratores podem explicar, pelo menos em parte, as paixões: imagine que você tem uma pessoa bonita, inteligente, culta, que beija otimamente, fiel, carinhosa, afetuosa, educada, cordial, simpática, gentil, que cuida de você, lhe apoia e lhe dá o que você precisa, lhe perdoa quando você erra e ama até seus defeitos e com ela você sente "aquilo". Quantos atratores, não? Bem, a paixão pode acontecer quando a pessoa tem todas essas características ou quando supomos que ela tem! Quem cria os atratores somos nós mesmos, conscientemente ou não.
Pode acontecer também de uma pessoa ter dois ou mais atratores que não se harmonizam, no espaço ou no tempo. Este é o caso de ter duas festas interessantes à mesma hora, ou amar duas pessoas (na nossa cultura). Se a pessoa não tiver flexibilidade, se tiver apego ou "grude" a atratores conflitantes, ela pode ficar paralisada, até que consiga escolher. Alguns conseguem finalmente decidir, mas o atrator não escolhido pode continuar lá, e a pessoa de vez em quando presta atenção nele e é quando suspira, se lamenta, se arrepende e às vezes até cai em tentação...

Atratores e dor


Uma dor, física ou subjetiva, em geral se torna um atrator. Essa é uma forma de desequilíbrio perceptivo; afinal, enquanto um pé está doendo, há dezenas de outros pontos do corpo que estão com sensações normais ou até prazerosas.
Outro exemplo nessa linha: no caso de uma perda, praticamente toda a atenção se volta para o objeto da perda, e tudo que se tem é esquecido.
Nesse contexto, é interessante notar que se algum outro atrator prioritário surge, como uma emergência, aí o atrator anterior pode ser até completamente esquecido. Um colega professor me contou um caso desses, em que ele trabalhava em uma madeireira e um dia amanheceu com torcicolo. Houve um alarme de incêndio e ele passou o resto do dia cuidando das providências. Quando se lembrou novamente do torcicolo, já era de tardezinha. Por acaso a dor nem estava mais lá.
Há pessoas que gostariam de fazer exercícios físicos, por exemplo; sabem dos benefícios mas mesmo assim não os fazem. A razão pode ser um atrator centrado na parte dolorida e nos desconfortos. Se alguém assim consegue criar um atrator nos benefícios e nas sensações agradáveis de depois, além da maior disposição geral, sua decisão vai mudar.


Benefícios


Um grande efeito de conhecer e gerenciar seus atratores é a ampliação de alternativas: sabendo o que realmente importa para você, novas possibilidades de conquistá-lo surgem naturalmente, Por exemplo, se alguém fica horas batendo papo na internet, pode descobrir que seu atrator é ter alguém para ouvi-lo e amenizar sensações de solidão e isolamento. Saber disso faz ver que, por exemplo, é possível atender o mesmo atrator também fazendo festas, promovendo encontros, dando mais de si e outras opções.
Outros exemplos de benefícios (digo "exemplos" porque pressinto que há muito mais a se fazer com os atratores do que já descobri):
- melhor resolução de conflitos;
- melhores decisões;
- melhor relacionamento com outras pessoas, pelo conhecimento dos atratores delas;
- menos sofrimento.
- maior auto-liderança.
Tudo isso resulta em maior competência, harmonia, bem-estar, sensação de liberdade interior, mais prazer de vários tipos e, considerando-se a integração mente/corpo, até mais saúde.
Estratégia básica para aplicação
Atratores em geral estão inconscientes, o que é uma boa forma de funcionarem: imagine você dirigindo na estrada, pensando nas coisas legais que vai fazer no destino, o que pode acontecer? Portanto, quando for dedicar-se ao assunto, deixe claro para si mesmo o que vai fazer, consciente de que é um momento de abrir a terra e semear.
Também pela inconsciência, o primeiro passo para a aplicação do conceito de atratores é a conscientização: uma busca de informações. Agora que você os distingue, dedique algum tempo a conhecer seus atratores. Escolha um contexto ou objetivo e pergunte-se: qual é o meu atrator? Há mais algum? O simples fato de buscar prestar atenção já induz maior consciência. Com um pouco de prática, melhor e mais fácil ainda.
Outra forma de identificar seus atratores é observar o que chama sua atenção. Uma pessoa, digamos, "disponível para se relacionar com o sexo oposto", tende a olhar quando vê alguém que para ela parece ter o perfil desejado. Se você lê um texto e repara muito em erros de gramática, você terá algum atrator relacionado a qualidade. Se você leu este texto até aqui, ele está relacionado a um atrator seu, você identificou alguma relevância nele para algo que lhe atrai.
Uma vez que identificou um atrator, o próximo passo é a avaliação. Isso pode ser feito também com perguntas: esse atrator é o mais apropriado? Ele está me inspirando ações que me conduzem ao que quero? Que outros atratores interagem com esse? Esse atrator está em conflito com algum outro?
Para efetuar mudanças, há duas linhas básicas: ou você muda seu ciclo perceptivo, ou seja, em que você presta atenção, ou você modifica os atratores, direta ou indiretamente.
Para desequilíbrios perceptivos, você pode experimentar distribuir sua atenção por outros elementos do momento presente: deliberadamente exercite variar o direcionamento da sua atenção. No caso de dores físicas, isso envolve outras partes do corpo e do ambiente, por exemplo. Pode ser necessário treinar um pouco para lidar com hábitos perceptivos (às vezes longamente praticados). Usei essa alternativa uma vez para uma dor no pé direito e o resultado foi imediato e muito bom, aliviando minha percepção das dores e com o desejável efeito colateral de não reagir à possibilidade de a dor piorar, que era o que estava me incomodando mais, sem que eu notasse. No caso de uma perda, pode-se ativar lembranças legais relacionadas ao que foi perdido, valorizando assim também o que se teve e o que se usufruiu. O que ativa coisas em sua mente é uma intenção.
Para modificar atratores, pergunte: como posso ajustar um ou outro para que combinem melhor e se reforcem mutuamente? Em caso de conflitos, verifique se pode diminuir a prioridade de um dos atratores; ele será conquistado ou obtido depois.
Às vezes pode ser que a única coisa que você precisa é reativar um atrator. Uma das formas de fazer isso é pensar nele e em coisas relacionadas. Experimente, por exemplo, imaginar que tudo que ele representa está acontecendo agora. Apenas tome cuidado para distinguir que é algo que você quer realizar, e não se satisfaça com a imaginação (porque até isso é possível...).
Veja abaixo mais dicas de estratégias.

Interferências


Várias coisas que fazemos no início parecem difíceis e se tornam fáceis quando desenvolvemos as habilidades apropriadas, como falar, escrever, andar, assobiar. Uma das coisas que tornam algo difícil são as interferências:

- "Gula mental" - podemos estar tão habituados a querer tudo que nem sempre temos a possibilidade de escolher uma só alternativa. Você pode lidar com isso direcionando deliberadamente a atenção para uma das alternativas e explorando-a mais a fundo. Por exemplo, se duas festas, escolha uma, avalie seus custos, benefícios e conseqüências, faça o mesmo para outra e escolha, sabendo que se não fizer isso não usufruirá plenamente de nenhuma das opções.
- Descrença e dúvida - tem gente que só acredita depois de ter uma ou mais experiências. Se por um lado isso pode ser útil, pelo outro pode dificultar a experimentação de coisas novas. A saída aqui é assumir por hipótese que funciona e agir como se fosse verdade. Todos sabemos fazer isso, e você, por exemplo, o fez quando leu a frase acima sobre televisão: "Pense no que seria diferente se o atrator fosse..." Mais fácil: o que você faria se fosse presidente? Veja como sua mente começa a seguir na direção do contexto interno que você está assumindo.
Outra opção para lidar com descrenças não fundamentadas é deixar fluir a curiosidade de descobrir se aquilo funciona mesmo, com a perspectiva de obter benefícios significativos em caso de sucesso. Mesmo antes de grandes sucessos, ainda há o benefício de ter exercitado a busca e tudo que se aprende colateralmente no caminho.
No fundo, estamos falando de decisões conscientes e independentes: "Eu acredito, mesmo que algo lá dentro não concorde comigo".
- Expectativas - Expectativas do que vai acontecer são importantes referências que temos para pensar e tomar decisões. Ocorre que, quando começamos algo, temos pouco conteúdo e em função disso podemos gerar expectativas distorcidas ou simplesmente erradas do que vai acontecer, do que podemos fazer. Se algo não sair como você espera, esteja atento para dedicar alguma atenção à avaliação crítica de suas expectativas. Se puder, deixe as expectativas de lado, o que você conseguir é o melhor para o momento e vamos em frente.

Aplicações


Outras idéias de contextos e situações, além das já mencionadas, para aplicação da idéia de atratores:
- Ao dar uma festa ou recepção, criar atratores em maior quantidade e adequados aos perfis dos convidados.
- Ao conhecer uma pessoa, fazer perguntas cujas respostas lhe dêem informações sobre os atratores dela: "O que você mais gosta no seu trabalho?" O que lhe anima a fazer x?" Conhecendo-a, você pode por exemplo, direcionar sua comunicação para o que ela gosta, e também ao convidá-la para algo você saberá de qual aspecto é melhor falar: "Olha, vai ter um churrasco com coisas legais e variadas pra fazer" ou "O churrasco vai ter pessoas interessantes e de bom papo".
- Um curso ou treinamento, uma disciplina, uma aula. Experimente também, em um momento chato de uma aula, dar uma ativada nos atratores.
- O namorado ou cônjuge. Você pode até questionar o fato de se ficar "analisando sentimentos", o que é razoável. Faça isto se tiver algum conflito ou problema no relacionamento (e se tiver um atrator relacionado a melhoria...). Mas note a diferença: se você sabe que um atrator do seu par costuma ser contato de pele, por exemplo, e que ter isso catalisa outras coisas que você prefere, fica muito mais fácil agradar a ambos.
- A atividade profissional como um todo, um dia, uma reunião, um relacionamento.
- Uma tarefa de escola ou trabalho.
- Um professor pode identificar os atratores dos alunos e trabalhar com eles em estratégias didáticas ou simplesmente lembrá-los com regularidade.
- Um terapeuta pode trabalhar na identificação de atratores do cliente e flexibilizar o comportamento dele pelo reconhecimento do que é importante.
- Pais, conhecendo os atratores dos filhos, podem motivá-los melhor. Por exemplo, qual pode ser o atrator de alguém que usa drogas?
- Você pode ajudar um amigo em dificuldades (e que esteja receptivo) a identificar seus atratores e ajustá-los.

Outras possibilidades


Um instrutor disse em um treinamento que conhecera uma oriental com mestrado em "dar nós em quimono". Tive uma ponta de ceticismo, embora a credibilidade dele seja boa. Em todo caso, esse exemplo ilustra que sempre há algo a mais para se saber, descobrir e explorar em qualquer assunto. Para você que está interessado, aí vão mais possibilidades sobre atratores:
- Descubra algo que já foi um atrator para você e não é mais. Procure um atrator ativo. Use a "câmera mental" para descobrir o que é diferente de um para o outro. Onde estão localizados? São coloridos, brilhantes ou preto e branco, foscos? Com que se ligam? Que atenção você dá para cada um? O que mais é diferente de um para o outro? Você pode usar as diferenças para formatar deliberadadamente, ativando ou desativando, um atrator de sua escolha. Isso deve funcionar nos casos em que não houver muitas relações sistêmicas do atrator em questão.
- Uma das propriedades de um atrator é o grau de segmentação ou generalização. Alguém pode detestar uma pessoa (alto grau de generalização) ou odiar algo que a pessoa fez (baixo grau de generalização). Eu faço um treinamento mensal em um local retirado e, entre outros, um dos meus atratores é o sabor de uma rosca que só lá é que fazem!
Uma das avaliações que se pode fazer do grau de generalização de um atrator é da sua adequação. Você já deve ter visto pessoas dizendo que "odeiam computador". Do meu ponto de vista, odiar computadores é como odiar chaves de fenda ou alicates, não faz muito sentido porque são ferramentas, são úteis para algo que queremos fazer ou não. Já pensou alguém odiar a internet inteira? Ter a habilidade de rejeitar comportamentos de pessoas enquanto ama a pessoa inteira também pode ser muito bom para viver melhor. Mas se você disser que odiar o Windows inteiro pode ser uma boa opção, estou inclinado a concordar... Mas espere aí: todos os Windows?
- Às vezes podemos passar boa parte da vida tentando integrar atratores não-integráveis. Um quer segurança e aventura. Outro se casa por causa de alguns atratores e quer manter atratores anteriores. Outro ainda quer comer à vontade e emagrecer ao mesmo tempo. Tem gente que quer ter paz e assistir aos jornais da televisão. Minha opinião é de que há coisas que não precisam ser integradas: ao se praticar um esporte, por exemplo, há benefícios e custos, ganha-se energia e saúde e tem-se dores. Talvez a melhor atitude seja simplesmente aceitar que existem pontos de vista e perspectivas que, mais do que conflitantes, são complementares, e ignorar um ou outro vai empobrecer sua decisão. Algo como estar em um carro com ar condicionado bem frio e o sol batendo nas mãos: um lado vai estar quente e o outro frio, e esta é a realidade do momento. Se for possível alterá-la, melhor, senão é isso mesmo.
- A palavra "egoísmo" pode ser entendida em termos de atratores. Uma pessoa egoísta, ou melhor, agindo de uma maneira egoísta, está com um atrator baseado em si mesma. Mesmo as coisas que ela faz por outros podem ter como sentido aquele atrator, como um "atleta sexual", que dá prazer pelo sentido de auto-afirmação, seu real atrator.
- Outra propriedade dos atratores é a estabilidade. Se você costuma às vezes acordar querendo outras coisas, mas gostaria que fosse diferente, basta pensar no que quer que já estará ativando o que quer que seja. Em particular, comece a pensar pelos benefícios decorrentes do que quer fazer, seja para você, seja para outros. Sua atenção cria, busca e nutre as coisas em sua mente, e usá-la com consciência é um dos pilares da auto-liderança.

 


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